Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus aos meus
versos que agora partem para a humanidade.
E não estou alegre... nem triste,
Este é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos,
porque não acho certo fazer o contrário.
Como a flor não pode esconder a cor, nem
o rio esconder que corre, nem a árvore esconder seus frutos.
Quem sabe quem os lerá!
Quem sabe a que mãos irão!
Flor colheu-me o meu destino para os
olhos
Árvores arrancaram-me os frutos para a
boca
Rio o destino da minha água não era ficar
em mim.
Me submeto e sinto-me alegre...
...alegre como quem cansa de estar
triste!
Fernando Pessoa

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