sábado, 16 de março de 2013

Meus versos




Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus aos meus versos que agora partem para a humanidade.
E não estou alegre... nem triste,
Este é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos, porque não acho certo fazer o contrário.
Como a flor não pode esconder a cor, nem o rio esconder que corre, nem a árvore esconder seus frutos.

Quem sabe quem os lerá!
Quem sabe a que mãos irão!

Flor colheu-me o meu destino para os olhos
Árvores arrancaram-me os frutos para a boca
Rio o destino da minha água não era ficar em mim.


Me submeto e sinto-me alegre...
...alegre como quem cansa de estar triste!


Fernando Pessoa

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